Os 4 passos da Comunicação Não-Violenta




Meu primeiro contato com a Comunicação Não Violenta (CNV) foi em 2018, após assistir uma palestra (TED) da Carolina Nalon, chamada “Para início de conversa”.

Fiquei encantada com a metodologia e comecei os meus estudos sobre o assunto.


A Comunicação Não Violenta nasceu com base em uma pesquisa contínua desenvolvida pelo psicólogo americano e mediador de conflitos, Marshall B. Rosenberg, na década de 60.

Na época, a cultura da segregação racial ainda era bastante difundida nos Estados Unidos, mas algumas escolas se propuseram a mudar essa realidade.

Marshall percebeu que era necessário adotar uma postura pacífica para melhorar a convivência e promover a integração entre negros e brancos.


Influenciado por diversos pesquisadores, como Carl Rogers e seu conceito de Empatia, e também líderes de movimentos de transformação social, como Martin Luther King e Gandhi, duas perguntas sempre intrigaram o Marshall Rosenberg:


- o que acontece em nós, seres humanos, que nos desliga de nossa natureza compassiva e começamos a acreditar em caminhos de violência ou coerção para alcançar resultados?


- E, o que permite que algumas pessoas, mesmo em situações extremas, permaneçam conectadas com suas naturezas compassivas?


E nas pesquisas do Marshall, a linguagem e o uso das palavras possuem um papel crucial para nos mantermos compassivos. Eis que surge a Comunicação Não-Violenta.


A CNV nos convida a reformular a maneira pela qual nos expressamos e ouvimos os outros. Nossas palavras, ao invés de serem reações repetitivas e automáticas, tornam-se respostas conscientes, firmemente baseadas na consciência do que estamos percebendo, sentindo e desejando. Somos levados a nos expressar com honestidade e clareza, ao mesmo tempo que damos aos outros uma atenção respeitosa e empática.


Um dos benefícios mais bonitos da CNV é fortalecer a capacidade de continuarmos humanos, mesmo em condições adversas.


E para nos ajudar nesse desafio, Marshall Rosenberg estruturou a CNV em 4 passos que parecem ser simples, porém requer muita prática.


Os 4 passos da Comunicação Não-Violenta


1º Passo – Observação


Observações são os fatos, as ações, o que aconteceu.

Elas não carregam julgamento, diagnóstico ou interpretação alguma. É a descrição factual das ações. Esse passo gera bastante confusão, pois é muito difícil separar observação de avaliação.

Para a maioria de nós, é difícil fazer observações que sejam isentas de julgamento, crítica ou outra forma de análise sobre as pessoas e seu comportamento. Observar claramente sem acrescentar nenhuma avaliação é um grande desafio.


Exemplo:

Avaliando a situação: João estava com raiva de mim sem nenhum motivo.

Observando a situação: João esmurrou a mesa.


Uma dica interessante para treinar o passo da observação é imaginar que, se uma câmera filmar a situação, ela não fará nenhum julgamento. Ela apenas irá apresentar o que, de fato, ocorreu. Esse é o exercício no passo da observação.

Não julgar. Não interpretar. Não fazer diagnóstico.


2º Passo – Sentimentos


“Sentimentos são mensageiros! Para todo sentimento há uma mensagem

importante querendo ser entregue.” Marshall Rosenberg


É difícil nomear o que sentimos. O nosso repertório de palavras para rotular os outros costuma ser maior do que o vocabulário para descrever claramente o que sentimos.

Todo sentimento vem nos contar algo que é importante e está sendo atendido, ou algo que é importante e não está sendo atendido.

O desafio neste passo é você se conectar com o que sente e nomear o sentimento.

Sentimentos autênticos não julgam ou acusam. Cuidado para não cair na armadilha de fazer uma interpretação disfarçada de sentimento.

Exemplo: “Sinto-me ignorada.”

Observe a diferença entre o que sente e como acha que os outros reagem ou se comportam a seu respeito.

Sentir-se ignorada é uma interpretação de uma ação por parte de outra pessoa.

O convite é para você se conectar com o sentimento autêntico que essa ação gerou em você.


3º Passo – Necessidades


“Em minha experiência, repetidas vezes pude ver que a partir do momento em que as pessoas começam a conversar sobre o que precisam, em vez de falarem do que está errado com as outras, a possibilidade de encontrar maneiras de atender às necessidades de todos aumenta enormemente.” Marshall B. Rosenberg


De acordo com o Marshall, todo sentimento vem nos contar algo que é importante (uma necessidade que está sendo atendida), ou algo que é importante (uma necessidade que não está sendo atendida).

Por não estarmos conectados com as nossas necessidades, é mais fácil analisar o erro do outro do que expressar claramente o que necessitamos.

Comunicamos nossas necessidades através de interpretações, avaliações e julgamentos, o que faz com que as pessoas ouçam nossos desabafos apenas como críticas.

Quando os outros ouvem críticas, tendem a investir sua energia na autodefesa ou no contra-ataque. Quanto mais diretamente pudermos conectar nossos sentimentos a nossas necessidades, mais fácil será para os outros reagir compassivamente.


Exemplo:

“Você tem trabalhado até tarde todos os dias desta semana; você ama o trabalho mais do que a mim.”


O que está por trás dessa frase?

Qual necessidade não foi atendida?

Neste exemplo, a pessoa pode ouvir e encarar esse desabafo como uma crítica e desencadear uma discussão.


Observe a diferença quando existe conexão entre sentimento e necessidade:


“Toda vez que você trabalha até tarde, eu me sinto frustrada (o) e solitária (o) pois ter a sua companhia é importante para mim”.


Perceba que a conexão com a sentimento e necessidade não julga, não interpreta e não critica. Dessa forma, é mais fácil criar uma conexão para ter um diálogo compassivo.


4º Passo – Pedidos


”Parte do processo é dizer com clareza o que está vivo em nós – sem análise ou crítica e sem colocar a culpa no outro. Outra parte é dizer com clareza o que tornaria a vida melhor para nós, apresentando essa informação aos outros como um pedido, não como uma exigência.” Marshall Rosenberg


É aqui o momento de colocar os passos anteriores em prática e formular pedidos claros, objetivos e com ações concretas, fazendo com que os outros estejam mais dispostos a responder compassivamente as nossas necessidades.


Um ponto fundamental é entender que o óbvio também precisa ser dito.

Costumo dizer que o outro não tem bola de cristal para saber o que estamos sentindo e muito menos adivinhar a nossa necessidade. Portanto, expresse com clareza seus sentimentos, necessidades e faça pedidos em uma linguagem positiva.

Evite frases vagas, abstratas ou ambíguas.

Quanto mais claro for o seu pedido (acompanhado do sentimento e necessidade) maior a chance de você obter resultados positivos.


Expressar pedidos genuínos também requer uma consciência do nosso objetivo. Se nosso objetivo é apenas mudar as pessoas e seu comportamento ou obter o que queremos, então a CNV não é uma ferramenta apropriada.

O objetivo da CNV é estabelecer um relacionamento baseado na sinceridade e na empatia. Quando os outros confiam que nosso compromisso maior é com a qualidade do relacionamento, e que esperamos que esse processo satisfaça às necessidades de todos, então elas podem confiar que nossas solicitações são verdadeiramente pedidos, e não exigências camufladas.


Durante as fases iniciais do aprendizado desse processo, podemos nos flagrar aplicando os passos da CNV mecanicamente, sem ter consciência do real objetivo.

Conhecendo melhor as abordagens da CNV, você saberá exatamente como utilizá-las em diferentes cenários, não só pensando no que pode ser mais favorável para você, mas também para o outro.


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Eu me sinto muito feliz e agradecida com a oportunidade de compartilhar os meus aprendizados com você.


Que possamos praticar, juntos, uma comunicação mais consciente, conectada e compassiva.


Gratidão,

Michelle Rossetto

Facilitadora de processos de desenvolvimento humano no Instituto Evoluir.

michelle@institutoevoluir.com.br




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