Dar tempo ao tempo.
- Thalita Mazepa

- 5 de fev.
- 2 min de leitura
por Thalita Mazepa
No começo de mais um ano, parece que doze meses serão muito tempo, mas já se passou 1/12 desse período no momento em que escrevo este artigo.
Há coisas que acontecem em nossa vida que necessitam da presença desse grande mestre: o tempo. Ele atua dando espaço, baixando a poeira e diminuindo a intensidade das emoções.
É certo que ele não pode consertar o que não estamos dispostos a liberar internamente, mas, quando começamos a compreender as lições por trás de cada experiência, o tempo ajuda a corrigir excessos e faltas que ficaram pelo caminho.

Há alguns anos sofri um acidente andando de bicicleta e cortei profundamente a perna. Acabei não indo ao posto para levar pontos e, como resultado, tive que cuidar com muito zelo daquele ferimento. Hoje resta apenas uma cicatriz, que sempre me lembra da importância de cuidar das feridas.
O tempo cicatrizou, mas foi o cuidado que permitiu a cura sem maiores consequências.
Aqui na Mantiqueira, nessa época de chuvas, vemos com frequência quedas de árvores, alagamentos e desmoronamentos nas estradas. Quando o solo já está encharcado, qualquer nova tempestade provoca ainda mais danos.
Isso me faz pensar que, quando estamos emocionalmente saturados, qualquer novo problema também pode provocar desmoronamentos internos.
O tempo, então, age como o sol depois da chuva: vai secando o excesso, firmando novamente o chão e permitindo que possamos atravessar o caminho com mais segurança.
Utilizar o tempo para curar os machucados da vida exige esse mesmo zelo: evitar reviver constantemente a dor e tratar o assunto em conversas mais reservadas, com um terapeuta ou alguém de confiança, para que não se potencializem sofrimentos, fofocas e opiniões sobre o que sentimos.
Parece existir em nós certa morbidez em observar a dor do outro, muitas vezes acompanhada de julgamentos e opiniões desnecessárias, revelando também a falta de compaixão e respeito pela dor alheia.
O tempo, quando bem utilizado, oferece o espaço necessário para que possamos olhar o vivido por novos ângulos, reconhecendo o que cada experiência veio ensinar. A força surge quando percebemos o valor do aprendizado.
Também podemos usar o tempo para evitar respostas impulsivas, esfriar a cabeça e aquecer o coração. A caridade começa na mente, quando escolhemos não ferir, mesmo estando feridos, e quando decidimos não atacar, mesmo quando nos sentimos atacados.
O silêncio e o tempo são irmãos benéficos nas situações que não ameaçam a vida, mas pedem uma depuração mais profunda.
E você, como utiliza a sabedoria do tempo em sua vida? Consegue perceber as situações que ele ajudou a transformar?
Como lembrava o filósofo Sêneca:
“Não é que temos pouco tempo, mas desperdiçamos muito.”








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